Os últimos três anos foram desafiadores. De 2016 para cá minha vida mudou. Durante uma crise, nesse ano, entendi que a vida só acontece pra quem se joga. E resolvi me jogar. Abrir mão da segurança exige coragem profunda.
Parei de fotografar moda e encerrei uma fase da minha vida em que eu vivia pelos outros. É um exercício constante focar em mim e não na opinião alheia. E com a ajuda da terapia, iniciada na crise de 2016, posso dizer que esse processo me trouxe uma felicidade que eu nem sabia que existia.
Quem eu sou? Quem eu quero ser? Fotojornalista, cacete! Gay, cacete! Eu sempre soube disso, sinto que nasci fotojornalista — e gay. Sinto que corre no meu sangue, sinto na minha respiração, sinto na minha intuição.
“Mas dá menos dinheiro que a moda, como sustentar a vida que levo e construí com muita ralação? E como assumir pro mundo que eu gosto de caras?”. Constatei que o medo do que poderia vir era menor do que a dor de viver infeliz.
Me agarrei na intuição, na terapia e nos amigos e mudei a vida. Reduzi custos e contas ao máximo, saí da minha antiga casa. Assumi — pra mim e — pra um amigo que estava envolvido por ele, saí do armário. Adaptei minha realidade e me abri pro incerto porque estava fazendo o que amo. E sendo o que amo.
Dia 31 de dezembro de 2017 foi muito especial. Foi a primeira vez que eu encontrei um cara. Na noite desse dia, a foto do réveillon viralizou. Coincidência?
Acredito que boa sorte é retorno das boas energias que você manda pro universo. Sou fiel à lei do retorno. E tenho muito capricórnio no meu mapa, então missão dada é missão cumprida.
Foram 13 anos de fotografia ralando muito, com muita honestidade, sensibilidade e verdade em mim e no meu trabalho. E foram 28 anos até me sentir pronto para assumir para mim mesmo onde estava o meu prazer.
Por mais que demorasse, eu sabia que uma hora germinaria. E em 2018 germinou. A colheita tem sido absolutamente fantástica. Valeu a pena cada passo, cada preço pago para chegar aqui (só nós sabemos a dor e a delícia de ser o que somos, né, Caê?).
Aos 30 me vejo no momento mais feliz da minha vida. E sei que tem muita lágrima pra rolar ainda, de alegrias e tristezas. Não estou pleno, pelo contrário, tô mais frito do que nunca. Preciso urgentemente lidar melhor com a ansiedade. Mas agora me sinto com uma nova perspectiva da vida.
As prioridades mudam, a autoestima muda, a noção de si enquanto ser humano muda. Envelhecer tem essa parte magnífica. E ver tanta tristeza no dia a dia do meu trabalho me faz querer viver a vida com cada vez intensidade. Viva os 30! Vem com tudo, quarta década, que eu tô só começando.