Dezembro 2018. A gente chegou no tekoha Tey’i Kue pouco depois que a Força Nacional tinha ido embora. Nos mostraram as marcas de pneu dos carros deles, os cartuchos de bomba de efeito moral, a casa toda revirada e um cachorro que morreu durante ess

Dezembro 2018. A gente chegou no tekoha Tey’i Kue pouco depois que a Força Nacional tinha ido embora. Nos mostraram as marcas de pneu dos carros deles, os cartuchos de bomba de efeito moral, a casa toda revirada e um cachorro que morreu durante essa ação cheia de brutalidade. Tinham acabado de levar Leonardo de Souza.

Leonardo era pai de Clodiodi de Souza, um jovem Guarani Kaiowá de 26 anos morto em 2016 durante o episódio que ficou conhecido como o Massacre de Caarapó. 70 pistoleiros e fazendeiros em 15 caminhonetes invadiram a aldeia Tey’i Kue, feriram com gravidade 13 indígenas entre crianças e idosos e mataram com dois tiros Clodiodi, que era agente de saúde.

Em retaliação, um grupo de indígenas rendeu policiais que foram prestar socorro, apreenderam suas armas e carros. O Ministério Público Estadual acusa Leonardo de ter participado dessa ação. Desde 2016, o pai de Clodiodi era foragido da justiça. No dia 13 de dezembro de 2018, a Força Nacional o encontrou e o levou para o presídio de Dourados, onde permanece preso. Mataram o filho e prenderam o pai.

Dos 70 criminosos do Massacre de Caarapó, 5 fazendeiros foram indiciados, presos e soltos logo depois para responder em liberdade. O Estado brasileiro sempre trabalhou a serviço do agronegócio.

Nos três primeiros retratos dessa galeria, os parentes de Leonardo e Clodiodi na casa em que moravam no tekoha Tey’i Kue, em Caarapó, Mato Grosso do Sul.

  

 

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